D. Luis Fernandes
“Salvar a vida na terra – Compromisso de todos nós”

- Houve na cidade de Vitória um bispo que se chamou Luís Gonzaga. Exerceu seu ministério pastoral na Arquidiocese de Vitória até 1981, quando foi transferido para a Diocese de Campina Grande, na Paraíba. Embora tenha sido bispo católico, o relevo da sua ação transpõe em muito os horizontes de uma confissão religiosa particular. Foi bispo com acendrado espírito ecumênico.Sempre esteve em comunhão com pastores das mais diversas igrejas. Não uma comunhão formal.Muito mais que isto.Uma comunhão afetiva, um diálogo permanente, um esforço de descobrir “no outro”, as inspirações da verdade, do bem e da justiça. Foi um profeta -aquele que nunca se omite quando deve anunciar a justiça e denunciar a opressão, sob qualquer forma que se apresente.
Comprometeu-se com o povo, com as multidões marginalizadas, comprometeu-se para solidarizar-se com o seu sofrimento - João Batista Herkenhoff- Juristadefensor dos Direitos Humanos.

Foram 53 anos de sacerdócio e 38 anos de bispo. Ele foi bispo auxiliar de Vitória (ES) aolado de Dom João Batista da Mota e Albuquerque até 1981, e Bispo Diocesano de Campina Grande, na Paraíba, onde permaneceu até 2001. Foi membro da Comissão Teológica e Litúrgica da CNBB, membro do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), do Departamento de Leigos e membros da Comissão Nacional Ampliada das Comunidades e Eclesiais de Base.Atuou profundamente na formação das Comunidades Eclesiais de Base, foi o idealizador do 1º Encontro Intereclesial de CEBS em 1975.
De lá pra cá foram 10 encontros. Seus ideais foram fermento na massa das igrejas do Brasil e da América Latina. Lutou contra a ditadura e pelo restabelecimento de democracia durante o regime militar e, no ES, foi um dos fundadores da Comissão Justiça e Paz. Sua pratica foi a proposta do Evangelho Libertador ligado a prática do dia-a-dia das comunidades.
Ao Irmão Luíz Fernandes:
Agora bispo de Campina Grande, pela graça do Senhor Deus e por ter caído em desgraça de alguns homens, para bem do Povo do Nordeste, onde a igreja do Brasil aprendeu o Evangelho dos Pobres e Vindo da Vitória do Espírito Santo, onde o Povo do Brasil aprendeu a conquistar sua hora e sua vez na Igreja de Jesus.
E rezava assim o poema:
Volta as origens,
Luís, meu irmão,
Voltar ao Nordeste,
É voltar ao Povo,
Regressar ao berço
Da mãe Paraíba,
Onde Uiraúna
guarda teu futuro
na raiz primeira.
Voltar ás origens
É dar com Belém
Na vida dos pobres.
Beber o Evangelho
Na cuia do povo.
Encontrar, por fim,
Toda liberdade
Do sertão sem folhas,
Da igreja sem cúrias,
Seres tu, por fim,
Igual a si mesmo:
viola e cangaço,
orvalho e vento,
arado profundo,
algodão matreiro
pensando na seca
as dores os medos
lavrando nas bases
o Povo e o Reino.
Em Campina Grande
Compadre Manuel
Bate o sino novo:
-Vem, abrindo estradas,
o pastor certeiro!
O velho João
Bate, lá, em Vitória
As palmas do tempo,
Na boca do povo,
Jeito do seu jeito:
Vamos pela estrada
Que já conhecemos...
Do mar capixaba
Ao mar sertanejo,
O Povo da Terra
E a Igreja do povo
Os sinos batemos.
Com o abraço do
tamanho
Da nossa amizade
e de nossa
Esperança pascal.
Pedro Casaldáliga, do Araguaia
(Homenagem prestada por D. Pedro Casaldáliga – bispo da Prelazia de São Feliz do Araguaia (MT), em 2000, por ocasião da Comemoração do Jubileu Sacerdotal de D. Luís Fernandes).
Dom Luís: um grande pedagogo
Marlene Cararo Pires – Educadora Popular e Professora do Centro de Educação da Ufes
A massificação característica da sociedade atual, aliada à exclusão de imensos contingentes da população em nosso Continente, atesta a relevância do debate da educação popular ou educação para a cidadania.
Como promover um processo educativo que, a partir da duríssima condição de vida das classes empobrecidas e excluídas, a partir de sua cultura, possa construir a cidadania ativa e estimular o processo de formação de sujeitos coletivos, o chamado protagonismo popular?
Como superar histórica e estruturalmente a prática elitista, populista, autoritária com que as principais instituições da nossa sociedade costumam lidar com as classes populares? Como buscar uma prática educativa que crie consciência política, que gere mecanismos realmente democráticos e construtores de sujeitos, enfim, que criem poder popular?
Essas questões representam um enorme desafio para uma das instituições mais presentes e atuantes no Brasil, a Igreja Católica, que nasceu junto com o estado colonialista português e caminhou, até pouco tempo atrás, atrelada ao poder político opressor e clientelista.
Em Vitória, no período de 1966 a 1981, a igreja católica teve o privilégio de ter como bispo auxiliar Dom Luís Gonzaga Fernandes, profundo conhecedor da estrutura da igreja e corajoso profeta da esperança e da crença radical na possibilidade da emancipação do povo de Deus – e que tem como correspondente sociológico o povo pobre, as classes populares, os oprimidos e esfarrapados do mundo, como dia Paulo Freire.
Dom Luís pautou sua ação na construção histórica das camadas populares como sujeitos coletivos, como cidadãos ativos, como protagonistas de uma sociedade democrática, participativa e, sobretudo, mas justa, fraterna e igualitária.
Sua concepção teológica era a de que Deus caminha e se compromete com seu povo na busca da libertação, que se revela em Jesus Cristo – nascido pobre e solidário com as lutas e sofrimentos dos pobres e morto na cruz pelo poder político e religioso de sua época.
Dom Luís foi um dos mais ativos fundadores das comunidades eclesiais de base (CEB’s) – experiência de processo educativo em que o cristão comum que freqüentava as igrejas foi chamado a se apropriar, pelo estudo, pela prática e pela ação coletiva, de uma compreensão mais clara e mais libertadora das verdades fundamentais da fé, participando da coordenação e da gestão da comunidade no seu cotidiano.
A partir de uma concepção sociológica de comunidades de base entendidas como comunidades de camadas empobrecidas, populares, que estão na base da pirâmide social injusta e desigual, construiu-se toda uma metodologia e um projeto pedagógico de inserção destes segmentos na cidadania ativa.
Esse projeto pedagógico começou a tomar forma, apoiado numa estrutura da educação popular, que começa a brotar no seio da organização de grupos da sociedade civil. E, é justamente no movimento eclesial, com o surgimento das pequenas comunidades eclesiais, principalmente, no interior de nosso Estado, que essa metodologia inovadora, começa a dar vez e voz aos cidadãos do campo e da periferia.
As CEB’s surgiram, segundo Dom Luís “do trabalho de renovação do Concílio Vaticano II”, quando a igreja se volta para buscar a participação dos mais pobres. Com a força e a dedicação diária de um grupo de agentes de pastoral, a arquidiocese semeia e aduba o nascimento e o desabrochar dessas pequenas comunidades, incentivadas pelos bispos, Dom João e dom Luís, que aqui pastoreavam.
Vale ressaltar o comportamento pedagógico de Dom Luís, sempre na busca de aprender, mas dando lições de fé e de vida, que somente grandes mestres conseguem fazer. E, relembrando o que nosso DOM dia sobre as pequenas comunidades, como ele gostava de chama-las:
“É um banho redentor para a Igreja, no mar das massas populares, como também, é o meio de o povo apossar da igreja. É o jeito da igreja se beneficiar, se enriquecer e crescer, graças ao ilimitado cabedal de forças, de valores, não só antropológicos e hi8stóricos, mas também, de fé, que estão na alma deste povo”.
Dom Luís Fernandes: homem de Deus e pastor do Povo
Frei Clodovis Boff – Doutor em Teologia
A igreja e o povo do Espírito Santo e do Brasil devem muito, muitíssimo, a Dom Luís Fernandes. É mister por aqui em destaque, ainda que sucintamente, os méritos mais notáveis da pessoa e do ministério desse homem de Deus e do povo.
Como bispo que era, Dom Luís foi, antes de tudo, um homem de fé, um pastor que cultivava uma profunda comunhão com Deus. Mantinha uma visão de Igreja que superava de longe a de uma mera organização social. A igreja para ele era essencialmente uma realidade teológica, o povo de Deus, e que para isso mesmo devia ser fermento, sal e luz no mundo.
Intelectualmente exigente, sempre buscou dotar seu trabalho de uma ampla visão teológica. Era homem de leitura assídua e possuidor de significativa capacidade de reflexão e elaboração pessoal. Mantinha-se em permanente confronto crítico com a realidade social e com as diferentes correntes da cultura moderna.
Era particularmente atento às grandes questões sociais, especialmente às que tocavam a vida e a libertação do povo. Mostrou-se pastor intrépido, que não hesitou em levantar a voz contra as opressões e injustiças infligidas aos pobres, mostrando-se solidário com seus reclamos e suas lutas legítimas. Mais de uma vez fez-se fisicamente presente nos lugares de conflito para levar uma mensagem de solidariedade, de coragem e de paz.
Inestimável foi a contribuição que deu à caminhada das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil e fora do Brasil. Foi este certamente um dos compromissos mais significativos de seu ministério pastoral e que ficará, sem dúvida, na memória histórica da Igreja do Brasil e da América Latina.
Graças ao seu fecundo trabalho pastoral e social, Vitória primeiro, e Campina Grande depois, tornaram-se igrejas exemplares no que tange à dinamização das CEB’s e em particular à qualificação dos novos ministérios desse “novo modo de ser igreja”. Ela acompanhou durante anos, com dedicação e competência notáveis, o desenvolvimento em nosso país e na América Latina, dessa experiência pastoral, quando ainda era uma “flor sem defesa”.
Foi sua a certeira e fecunda idéia dos intereclesiais, assim como sua foi a implementação desses encontros, bem como a pertinente assessoria pastoral nos encontros sucessivos.
Na verdade, uma das qualidades mais admiráveis em Dom Luís era seu senso de “ organização pastoral”. Os trabalhos eclesiais e sociais para ele deviam ser, não só bem fundados, mas também bem articulados. Não se tratava de mera necessidade de organização, mas sim da indispensável comunhão de espírito, de vida e de ação que deve existir em toda pastoral, para ser dinâmica, e em toda a ação social, para mostrar-se eficaz.
A promoção de um laicato maduro e dotado de protagonismo pastoral e social foi um dos esforços maiores de Dom Luís. Qualquer leigo, qualquer leiga que tenha trabalhado com ele, sabe com quanto respeito os tratava e com quanto empenho se consagrava à sua afirmação eclesial e política.
Reconheceu e promoveu os carismas e talentos que o espírito havia depositado nos leigos e nas leigas, buscando dar-lhes as condições mais propícias para se desenvolverem em proveito do povo, especialmente dos excluídos. Ele nunca entendeu uma igreja “clerical” muito menos “fora do mundo”, mas sim uma igreja livre e libertária, participante e comprometida.
Por tudo isso, e por muito mais, Dom Luís será para a Igreja e para o Povo do Brasil uma lembrança perene, um ponto de referência e uma fonte de inspiração.
A Humildade de Luís
Renato Gama foi conselheiro da Comissão Justiça e Paz de Vitória no período de 1991-2000
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte” (Os Sertões). Euclides da Cunha tinha razão: não somente o sertanejo, mas os nordestinos em geral.
Luís Gonzaga Fernandes era um desses fortes. Nasceu em Marcelino Vieira, RN, aos 24-ago-1926. Nos limites da linguagem, é praticamente impossível descrever a riquíssima personalidade de Dom Luís. Registramos apenas o que mais nos marcou em nossa convivência com ele. Parafraseando o autor, diríamos: Dom Luís era, antes de tudo, um humilde.
Nos anos 70, Dom Luís, com aproximadamente 44 anos, refletia com um grupo de jovens do norte do Estado, dizendo: “Creio fundamentalmente nesses pequenos grupos, ferventes de amor”. Iniciando ainda seu ministério episcopal, na flor da maturidade, apontava ele para o modelo eclesiológico em que acreditava.: não naquele do passado, mas fundado no triunfalismo e poder clericais, mas em uma nova proposta de ser ( e construir a ) igreja. Nisto fez uma aposta para toda a vida.
Por outro lado, sempre procurava remeter seus interlocutores à forma de ser da igreja primitiva: pequena, humilde, simples, pobre, mas que foi capaz de corroer as bases do Império romano, um dos maiores poderes já existentes.
Mais tarde, falando sobre o seu ministério a um grupo de Vitória, afirmava: “Ser bispo para mim é viver em permanente tensão”. Neste aspecto particular, cremos que Dom Luís tenha sido um homem extraordinário! Vivenciando em suas entranhas as contradições do seu papel – eclesial / eclesiástico, social, político, etc. -, sempre foi avesso às “glorias” do poder, colocando-se simplesmente à serviço do povo a ele confiado, bem como da sua igreja.
Muitas vezes disse Dom Luís: “ Não sou um homem da ribalta!”. E realmente não era. Se tivesse querido as glórias e consagrações do mundo, certamente as teria através da sua grande inteligência, do verbo fácil, da maneira simpática de ser, além do dom especial que possuía para a organização.
Mas renunciou a tudo isso para testemunhar o ensinamento do seu Irmão, Mestre e Senhor: “Venham a mim (...), pois sou manso e humilde de coração”. (cf. Mateus 11,29).
Dom Luís Gonzaga Fernandes
“Viver e recordar na saudade”*
Há alguns dias, não muito distantes, trazíamos presente em nossos bate-papos e planejamentos duas coisas: 1) o fato da urgente necessidade de organizarmos uma forma de melhor socializarmos as informações acerca da caminhada das CEBs no Brasil, através de um site na NET, por exemplo; 2) propor à próxima Ampliada Nacional a redação de uma carta endereçada aos “amigos da caminhada” que, mesmo comungando o mesmo sonho, já não podiam estar sempre conosco – pensávamos isto, lembrando-nos particularmente de D. Luís Fernandes.
Procurando, pois, o endereço eletrônico do D. Luís no site da CNBB e já preparando-nos para escrever-lhe, recebemos o seguinte comunicado do CESEP, através de José Oscar Beozzo:
“O CESEP cumpre o doloroso dever de comunicar que foi chamado para junto do Pai, no dia de hoje, por volta das 20:00 hs, o seu grande amigo e um dos seus sócios fundadores. Dom Luís Gonzaga Fernandes, bispo emérito de Campina Grande, PB.
Ele está sendo velado na Catedral de João Pessoa, PB, onde faleceu e manhã cedo, dia 5 de abril, haverá missa de corpo presente, às 7:30 da manhã.
O enterro acontecerá em Campina Grande, onde foi bispo a partir de 1981, depois de ter estado como auxiliar em Vitória de 1965 a 1981.
Tom amos a liberdade de acrescentar um pequeno resumo de sua vida e atividades que preparamos para o estudo sobre a participação do episcopado brasileiro no Concílio Vaticano II. Dom Luís foi sagrado bispo em Roma nas ultimas semanas do Vaticano II, contando com a presença dos numerosos bispos brasileiros presentes ao Concílio. Ele amou apaixonadamente a Igreja, povo de Deus, que emergia do Vaticano II, fazendo das CEB’s a melhor e mais profética forma de traduzir a Lúmen Gentium na prática pastoral da Igreja junto aos pobres, os prediletos de Deus”.
Foi um susto para nós!
Passado este momento, apressamo-nos em escrever o que seria a “bendita carta”, agora endereçando-a, mais essencialmente ainda, ao “Bispo das CEB’a”..., ele que já deve tê-la recebido desde a eternidade!
“D. Luís, para nós da Ampliada Nacional tu não eras somente um convidado ou alguém ‘muito indicado’ a participar conosco dos encontros e reuniões. Mas, sempre foste um amigo ternamente esperado.
Como sempre, partilhavas conosco teu modo prestativo de existir. Mesmo não podendo estar presente, não deixavas de acenar para nós, permanecendo em sintonia.
Ora, amigo, quem quiser falar da história das CEB’s no Brasil e dos seus 10 intereclesiais, terá sempre que recordar tua presença. Indo à estante das nossas memórias, tomando aqueles livros que falam da vida e história das CEB’s e nos quais estão sacramentados os bonitos relatos dos Intereclesiais, notamos como teu nome está gravado em cada passo que demos.
Recordamos que em 1984, quando editavas o livrinho Como se faz uma Comunidade Eclesial de Base, Leonardo Boff, no prefácio, dizia:
‘A caminhada da Igreja nas bases, nos meios populares, deve muito a este bispo nordestino, um dos bispos mais inteligentes e brilhantes da igreja que saiu do Vaticano II (1965), que foi batizada em Medellín (1968) e confirmada em Puebla (1979). (...) Dom Luís Fernandes possui a consciência clara do significado transcendente para a Igreja universal, escondido no seio da vasta rede de comunidades eclesiais de base que marca indelevelmente a igreja no Brasil. Foi ele quem iniciou no Brasil os encontros Intereclesiais de Base, já em 1975 (op.cit., p.7).
Ao folhearmos velhos arquivos, aqueles de papéis amarelados pelo tempo mas sacramentados pela história, vivemos e recordamos, ainda que na saudade, tua cordial e terna presença entre nós.
Ressaltamos teu discurso na abertura de 7º Intereclesial em Duque de Caxias:
‘A história é bonita demais para ser contada. Vale a pena só viver e recordar na saudade. Foi um encontro pequenino como uma semente, com 70 pessoas – e não duas mil -, uma dezena de bispos, meia dúzia de assessores e foi tudo... num janeiro abençoado! Faz 15 anos, foi em 1974 que a decisão foi tomada, por inspiração de um punhado de irmãos. E ninguém imaginava que ali se semeava esta plantação de Deus, que iria florescer numa escalada magnificante, a apoteose desta festa.
Tu, sempre conosco...nos seminários nacionais, nas Ampliadas! Ah! Não podemos nos olvidar nunca o quanto nos sentimos acompanhados durante a preparação do 10º Intereclesial em Ilhéus, na Bahia. Tu que falavas com conhecimento de causa, sempre respeitando, porém, as opiniões de nossos companheiros e companheiras.
Temos guardada, D. Luís, tua ficha de inscrição, fotos que te revelam no meio do povo de Deus que refletia e celebrava naquele julho de 2000, chuvoso mas pleno de Graça.
Amigo, continuaremos teu sonho e permaneceremos atentos e atentas aos pobres que são ainda milhões neste imenso país. Lutaremos, sim, trabalharemos para que as CEB’s continuem sendo o espaço dos pobres e daqueles/as que os amam com sinceridade.
As canções populares dizem que o céu é uma festa que não tem fim...; ora, não duvidamos que logo tu te juntaras a alguns amigos e amigas e logo, logo, cuidarás de montar um Intereclesial, bem bonito, verdadeiramente ecumênico! E, como o próprio Deus encurtou as distâncias e derrubou as barreiras entre o céu e a terra, nos uniremos a vocês e celebraremos a caminhada, mesmo dainte dos entraves que puserem e ainda põem em nossa caminhada dificuldades que você acompanhou e experimentou bem de perto.
Luís Fernandes – Bispo das CEB’s – Recebe de todos nós, “aí” na eternidade que já nos toca, um beijo no Coração!”
Edegard Silva Júnior
E Márcio Pimentel
Membros da Ampliada Nacional das CEB’s
* Palavras de Dom Luís na abertura do VII Intereclesial (Duque de Caxias, RJ)
Artigo publicado na Revista “REB”, fasc. 251, Julho 2003, pp.686-689
Celebração do Povo de Deus reunido para a Festa dos 25 anos de sacerdócio de Dom Luis e 10 anos de sagração como bispo – Dezembro / 1975
Apresentação das comunidades da periferia
Refrão: canta, meu povo, canta teu cantar
Vai nos levar ao Pai este caminhar.
Minha gente que aqui está
Vamos cantar com alegria
Porque vão se apresentar
Comunidades da periferia
É gente que quer caminhar
Com fé, ação e sabedoria,
E vocês vão desculpar
A minha tão fraca poesia.
Vamos logo dar início
A esta apresentação,
Falando da vida difícil
Do povo desta região.
Quanto trabalho e sacrifício
Pra poder ganhar o pão!
Quem mora na periferia
Quase sempre operários,
Que em sua maioria
Ganham somente o salário,
Mas é gente de um valor
Realmente extraordinário!
Povo simples, gente boa
Mora nesta região,
Porque lá ninguém enjoa
De servir a todo irmão,
E estes não vem à toa:
Lutam muito pela união.
Lutando, rezando e servindo,
Refletindo o evangelho,
Vamos todos abolindo
Aquele mundo tão velho
Que estava existindo
Do ódio e acomodação.
E assim vamos construindo
Esta nossa nova Igreja.
Que a gente tanto deseja
De justiça, paz e união.
E agora eu vou falar
E isto é bem verdade,
Porque vou apresentar
Cada bairro e cidade.
E um aviso quero dar,
Porque quando eu chamar
O nome da comunidade,
Ela vai se levantar
Com precisão e vontade.
E ao pai agora vamos cantar
Este novo caminhar
Com alegria e sinceridade;
Pros lados de Vila Velha
Esta cidade vizinha,
A gente hoje ainda sente
Os frutos de uma semente
Lançadas pela saudade
Irmã Antonietinha.
Rio Marinho é iluminada
Com a luz do Espírito Santo.
Por seu Francisco animada
Junto a uma equipe, eu garanto!
E Vale Encantado é tão pobre!
Mas trabalha que é um encanto!
Aribiri tem equipes
Que ligam a fé com a vida.
Ataíde tem a Marlene,
Junto a uma gente querida.
Ambas têm o Dom Luiz.
Ele mesmo é que quis
Trabalhar com essa gente.
Que atitude bonita!
Ainda pra esses lados,
Tem Ilha da Conceição e Garrido,
Alecrim e Alvorada,
Que não são muito apoiadas,
Mas mesmo assim tem crescido
Tem ainda ali por perto
Ilha das Flores e Santa Rita,
Com a ajuda de João Roberto
Já crescem e isto é certo,
Mas que caminhada bonita!
Uma igreja nova e imensa
Tem agora Cobilândia.
Mas a turma de lá já pensa
Em formar pequenos grupos,
Como Jardim Marilândia.
Ali importante é a presença
Marcante do seu Santinho.
Assim como ultimamente
O trabalho do Toninho.
O PASTOR – Plantador, A Planta e o Povo
De: Claudio Vereza
Ao Amigo D. Luiz Fernandes
Vitória, 17/09/81
“O chão dá
Se a gente plantar
O chão não dá”.
Pensou D. Luiz
Bastante feliz
Ao vir para cá.
Chegou com vontade
Da semente lançar,
E disse: sozinho
Não vou trabalhar.
Com animação
Convocou em mutirão
Pro povo atuar.
O povo aceitou
Aquele chamado
Com grande alegria
E muito animado!
Trabalho intenso,
Mutirão imenso
Do povo acordado!
E hoje a semente
Já frutificou:
O povo é gente
Da história autor.
Em comunidades,
Vivem a realidade
Do Nosso Senhor!
O irmão D. Luiz
Foi pra outro chão
Plantar a semente
Novo mutirão.
Embora sentidos,
Estamos unidos
E firmes, pois não!
Pra ele um abraço
Deste companheiro.
E meu verso faço
Coração festeiro!
E neste ensejo,
D. Luiz lhe desejo,
Um bom pastoreio!
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